programa

Centrado tematicamente entre os polos:
– das dinâmicas entre teoria e experimentação,
– das publicações científicas,
– do diálogo ciência-sociedade,
transversais às sessões que constituem o ciclo de conversas, o programa desenvolve-se com contributos de áreas de interesse diversas, como se procura ilustrar para cada sessão.

 sessão #1 (21MAR)
Presentemente, inúmeros temas de investigação na área das biociências pesquisam o papel das mitocôndrias em diferentes processos. Dos estudos do envelhecimento e morte celular à génese e destino de células germinativas, são vários os exemplos de trabalho em curso que se podem explorar em ligação com as questões da articulação entre teoria e experimentação, da disseminação e partilha de conhecimento ou ainda das relações entre ciência e sociedade. Por um outro lado, olhar a história da biologia traz-nos frequentemente um melhor entendimento acerca do próprio processo de produção de conhecimento. Nas décadas de 50 e 60 do século XX, as evidências morfológicas foram fundamentais no desenvolvimento de conhecimento bioquímico relacionado com as conversões de energia a nível celular. Os trabalhos sobre a mitocôndria falam assim também da importância dos cruzamentos disciplinares convocando-os ao debate.
convidados: Alexandre Lobo da Cunha | Marco G. Alves | Maria Rangel | Vítor Costa
moderação: Vítor Yang
registos da sessão aqui

 sessão #2 (28MAR)
Na ausência de evidência experimental prévia, a formulação da teoria quimiosmótica terá tido inspiração filosófica. De que forma a filosofia e o tipo de reflexão que proporciona podem contribuir para o avanço da investigação científica será uma questão que surge facilmente quando se analisa a articulação entre teoria e experimentação. Hoje em dia, sabe-se que sequência de conversões de energia em células aeróbias é uma tarefa sensível na qual a organização supramolecular dos complexos da cadeia respiratória mitocondrial e sua regulação desempenham um papel central. Variadas alterações nos sistemas de conversão de energia são conducentes a disfunções da mitocôndria e representam frequentemente patologias graves de origem genética. O recurso a tecnologias de reprodução medicamente assistida com o envolvimento de uma doadora pode evitar a sua transmissão à descendência, sendo esta uma possibilidade recente e que alargou o âmbito do problema. Surge assim a questão de saber como podem as ciências sociais, num quadro de investigação e inovação responsáveis, contribuir para o debate.
convidados: Arnaldo Videira | José Augusto Pereira | Rodolfo Jorge | Susana Silva
moderação: Helena Pereira
registos da sessão aqui

 sessão #3 (04ABR)
A dinâmica mitocondrial está envolvida em variados distúrbios neurodegenerativos com base genética, sendo a sua modulação terapêutica um dos focos de investigação atual. No âmbito da genética médica, e em particular no que se refere a doenças raras, as questões éticas têm especial expressão e a ideia de uma cidadania científica está bem presente quando se pensa, por exemplo, num papel das associações de doentes para uma co-definição de caminhos relativos ao desenvolvimento de abordagens terapêuticas inovadoras. Mas falar de modulação farmacológica da dinâmica mitocondrial de algum modo remete para a linguagem matemática. O recurso a esse tipo de formalismo foi fundamental no desenvolvimento da teoria quimiosmótica para as conversões energia na mitocôndria, não sendo, contudo, a prática mais usual nas ciências da vida e biomedicina. Neste âmbito, o contraste com o que se passa na física poderá ser esclarecedor e enriquecedor do debate. E esse acabará por tocar as questões da escrita científica, integrando esta ou não uma componente matemática. A linguística, ao explorar estilos na linguagem, poderá acrescentar algo.
convidados: Jorge Ascenção Oliveira | Jorge Sequeiros | Milaydis Sosa Napolskij | Orfeu Bertolami
moderação: Gabriela Correia
registos da sessão aqui